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domingo, 14 de agosto de 2011

Florença – novas cores e descobertas

Florença nunca foi tão acolhedora em toda a sua longa história de lutas pelo poder e paixão, como nessa última viagem. Muitos já sucumbiram nas águas do Arno, jogando-se da Ponte Vecchio. Lauretta ameaçou fazê-lo, na obra de Pucinni  - Gianni Schicchi, e convenceu seu pai a deixá-la casar-se com Rinuccio, ao som das notas de “O mio babbino caro”. As alianças seriam compradas na via de Porta Rossa, onde ficavam os comerciantes de ouro da época, que depois se transferiram para a própria Ponte Vecchio. Assim, é comum que casais do mundo inteiro façam suas juras e troquem alianças neste local que possui o pôr-do-sol mais cativante do universo. Depois de uma despedida involuntária do que poderia ser um grande amor e de ter recusado uma inusitada proposta de casamento de um senhor de 98 anos, comprei minha aliança e ali, naquele cenário de filme, fiquei noiva de mim mesma!... (mas prometi ao vendedor que voltaria depois com o noivo para completar o par).
Esse ano encontrei Florença com um clima de preparação para uma tempestade, que a deixou ainda mais deslumbrante. Em mínimos 3 dias, perambulei pelas suas ruas, assisti a concertos de rua, subi a torre do Duomo (mortificantes 462 degraus), fui ao museu do Palazzo Pitti, às Igrejas Santa Croce e San Lorenzo, ao Palazzo Vecchio, tomei um drink no bar Il Rifrullo - http://www.ilrifrullo.com , que fica no bairro boêmio de San Niccoló e conheci os restaurantes Il Latini - http://www.illatini.com/ ,  Sasso di Dante - http://www.sassodidante.it e a trattoria La Casalinga - http://www.trattorialacasalinga.it/  - todos recomendados, sendo que este último tem comida típica, poucos turistas e preços muito baratos.
Preparei-me para visitar a Igreja de San Lorenzo, a mais antiga da cidade, com projeto (2ª reconstrução), de Brunelleschi , afrescos de Donatello e os túmulos de Lorenzo, o Magnifico e seu irmão Giuliano, no domingo pela manhã e tive a triste surpresa de saber que apesar de não constar nos guias, é uma exceção encontrá-la aberta nestes dias. Porém, havia missa e eu fiz a travessura de, mesmo sem ser católica, assisti-la por inteiro, com os olhos passeando pelo seu discreto e belo interior. Saí purificada para tomar um delicioso banho de chuva.
Florença, a capital de arte do mundo, está cada dia mais bella!











domingo, 7 de agosto de 2011

Pisa - novos olhares

Pisa é simples, ribeirinha e imponente, pelo seu passado. Cidade de muitos turistas concentrados num só lugar - Piazza dei Miracoli. Os milagres não se resumem à revogação da lei de gravidade na Torre Pendente, mas reza a lenda que foram muitos, atribuidos ao ora patrono da cidade - San Ranieri, cujo corpo está depositado na Catedral. Santo que decidiu peregrinar pela Terra Santa e possuia um grau de devoção profundo ao Cristo, dedica seus ultimos anos ao povo pisano, que lhe atrubui milagres e daí vem o nome da praça onde não repousa em paz, pois lhe cabe o oficio de pacificar as hordas de turistas que entram na Catedral com suas máquinas e a pressa de seguir ao próximo roteiro. O silencio imposto é um choque nas almas inquietas...e de repente, restam a meditar, seja sobre a beleza daquele simbolo que chama a olhar para o alto, seja sobre a peregrinação das suas proprias vidas. O pêndulo que Galileu Galilei observava para criar suas teorias, as colunas que levam ao alto, os desenhos da cúpula... o branco do seu exterior...um oasis. Dessa vez subi as escadas do Batistero para vê-la de outro ângulo. Pisa também tem as ruas ao longo do Arno, a Torre dell'orologio, a Piazza dei Cavalieri, os encantadores jovens que ocupam os assentos de uma das mais importantes universidades da Itallia, a quietude de seus becos. Há quem discorde, mas é possível vê-la também bela.







sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Teatro del Silenzio - Lajatico - Andrea Bocelli


Uma das razões de minha “passione” pela Italia foi o DVD de Andrea Bocelli “Vivere – live in Tuscany”, gravado no show realizado no ano 2007, no teatro ao ar livre idealizado por ele e localizado nos campos de trigo do seu município, Lajatico. É pura poesia! Já tinha decidido conhecer a Italia, mas esse DVD me fez ter a certeza do lugar para onde iria. Pesquisando pela internet, descobri que uma nova edição seria realizada em 2009. Comprei os ingressos para o show e para o ensaio e fui, sem conhecer ninguém, viver alguns dos momentos mais emocionantes de toda uma vida, repetidos em 2010 e 2011.
Fiquei hospedada em Pisa nos dois primeiros anos e o transporte para o local do evento foi sempre um problema. Pisa dista cerca de 1 hora de carro; não tem transporte para lá depois das 18:00; não tem taxi para voltar e os serviços de transfer precisam ser agendados com muita antecedência.
Em 2011, Andrea Bocelli foi apenas convidado e patrono do Concerto Bravo Cina!, com a apresentação de artistas chineses e italianos. Desta vez, fiquei numa cidade chamada Orciatico, que disponibilizou transporte gratuito até o local do evento – numa distancia de 10 minutos. A cidade tem uma população de cerca de 200 habitantes e representa bem o sonho da Toscana, com direito a todas as paisagens de cartão postal às suas margens.
Nesses três anos, Andrea Bocelli recebeu diversos artistas de renome no solo sagrado do Teatro do Silêncio – um espaço sonhado em meio aos campos de trigo, que douram ao calor do sol de verão, durante o dia e tremem de frio e emoção quando a noite acende estrelas até o amanhecer. O silêncio já ouviu as inesquecíveis apresentações de Laura Pausini, Noa, Elisa, Chris Botti, Kenny G, Sarah Brightman, Heather Headley, David Foster, Placido Domingo, Andrea Griminelli, Katherine Jenkins, Sabine Cvilak, Toquinho, José Carreras, Zucchero, Divas,  Desiree Cantatore, Renato Zero, Nek, Divas, Lang Lang, Roberto Bolle, Anna Tifu, dentre outros.  
Fica como sugestão de serviços de transfer e hospedagem, a empresa Arianna & Friends - http://www.ariannandfriends.com.
Porém, caso prefira um guia turístico e motorista pessoal ou para pequenos grupos, inclusive para toda região da Toscana, fica a indicação de Filippo Perferi (filippo.perferi@yahoo.it). Ele faz serviço de transporte e também excursões personalizadas, com o roteiro escolhido pelo cliente e um preço justo. Como indicação ficam as cidades de Sienna, San Giminianno e Voltera.
Para hospedagem, caso prefira alugar casas na região, entre em contato com Jill Albrecht, pelo e-mail: jalbrec@tin.it, ou pelos demais contatos indicados no site www.tuscany-orciatico.it.gg
Seguem fotos dos eventos, destacando aquela em que finalmente realizei um sonho:

Teatro ao longe e caminho:

 


 Andrea e Sabine Cvilak
 Andrea e Toquinho:
 Andrea e Anna Tifu
 Andrea, Divas, sopranos e Roberto Bolle, com o maestro Eugene Kohn
 Bocelli
 Bocelli, Renato Zero, Divas...

 Andrea Bocelli e eu!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Nova viagem

Ciao amigos!
Voltei à Itália, para rever lugares muito especiais e compartilhar com vocês um pouquinho desses momentos, captados pelas lentes de minha Sony Cybershot - resolução 6.0 megapixels, em sua maior parte. Quase no final da viagem, ela me disse adeus, justo no momento em que tive de dizer adeus a alguém... máquina também tem sentimentos! As fotos de Florença e Roma já serão na nova Sony, agora com melhor resolução.  Vou postar aos poucos, iniciando com uma coletânea das 3 últimas edições do Teatro Del Silenzio, onde se realiza o show de Andrea Bocelli – a razão nº 1 dos meus retornos. Depois volto a lugares já visitados, com um novo olhar e descubro outros, cada vez mais intimistas, na alma do País da Bota. Vamos juntos?

domingo, 10 de julho de 2011

Passeio pelo Lago de Como

Deixei um post só para as fotos desse passeio de barco que fiz da cidade de Como até Ballagio... dia de luz, festa de sol e o barquinho a deslizar... pelas verdes águas do imenso lago. Enquanto isso minha mente vagava pelos portos aonde o destino me levou... no silêncio, o barco singrava aquela imensidão... momento para uma prece de corpo e alma. Agradecimento a todos e a Deus.  Passamos por pequenas cidades, uma ilha que funciona como um balneário (Isola Comacina), villas, mas nada de acontecer o milagre que desejei...ver George Clooney... mas vi muita, muita beleza, tanta que não cabia nas vistas e nem na alma...  foi um dia quase perfeito!







Como – a cidade à beira do lago.

Eu queria passear por diferentes regiões, mas sem aquele desespero do turista que quer tirar uma foto em cada monumento. Então visitei o blog www.interata.squarespace.com, para ver dicas sobre alguma cidade interessante no Norte. A melhor foi a seguinte: os turistas costumam ficar em Milão e fazer um passeio de um dia na região do Lago de Como(40 min de trem).  Faça diferente: hospede-se numa das cidades à beira do lago e vá passear um dia em Milão.  Acerto maior não poderia existir. São muitas cidadezinhas e cada uma mais bela. Gostei das fotos que ele fez e da descrição sobre a cidade que dá nome ao lago – Como (www.interata.squarespace.com/jornal-de-viagem/2006/11/29/lago-de-como-a-40-minutos-de-milo.html), onde decidi pousar minhas asas de andorinha cansada. Fica na parte de cima da “bota”, já quase fronteira com a Suíça, entre os Alpes e o vale do rio Pó. Ouve-se pouco a língua italiana e é diferente de tudo o que vem à nossa mente quando imaginamos a Itália.
Pelo que eu li, achava que era uma cidade bem pequena, mas decidi um dia sair andando sem rumo e cheguei a uma zona residencial onde foi difícil achar o caminho de volta!
Com o clima um pouco mais ameno, enche-se de turistas dos países vizinhos e notei por lá algo inusitado: muitos casais em lua-de-mel, geralmente acompanhados de um cachorro e muitas famílias jovens com vários filhos pequenos e uma quantidade maior ainda de cachorros, o que pressupõe que a cada ano eles retornam para renovarem as juras de amor... e fazem outro filho. É um povo que aprecia a arte da procriação e de criar cachorros.
A cidade parece bem pacata, o oposto de Milão. O meio de transporte que predomina é a bicicleta, usada democraticamente por crianças, idosos, pessoas elegantes se dirigindo ao trabalho e turistas passeando.
Assim que cheguei descobri uma pracinha chamada Alessandro Volta, com sorveteria e restaurantes agradáveis.
Os passeios imperdíveis são de barco para Bellagio e de funicular para Brunate, uma Villa no topo da montanha, que se alcança através numa subida que eu chamaria de desafiadora aos nervos de quem tem medo de altura – não é o meu caso, então aproveitei ao máximo a vista belíssima do lago.
Melhor que palavras – imagens. Ei-las!









sábado, 2 de julho de 2011

Costa Amalfitana: Sorrento, Capri e Amalfi

Há tempos tive um sonho, em que eu estava numa casa encravada numa montanha, olhando o mar... Alguém me sugeriu ir à Itália – a voz de um anjo. Na programação da primeira viagem, inclui a Costa ou Costiera Amalfitana,  que é uma estrada em volta das montanhas da região chamada Campania, considerada Patrimônio Mundial da Humanidade.  A estrada é uma série de curvas sinuosas, que em muitos trechos só permite a passagem de um carro – mas é de mão dupla. Então, um dos dois encosta no paredão da montanha e o outro passa, beirando o abismo. É pura e genuína “emozione”!
Cheguei à região por Sorrento, cidade do Golfo de Nápolis conhecida dos meus ouvidos pela famosa “Torna a Surrento”. Era um fim de tarde depois da visita Pompéia e meus pés ferviam sob os sapatos desejando água fresca para se banharem. Encontrei o paraíso num dos hotéis mais agradáveis que já me hospedei, o Grand  Hotel Vesuvio (www.vesuviosorrento.com). O cheiro refrescante de limão siciliano estava no sabonete e no aroma dos quartos. Depois de um demorado banho onde lavei minha alma, também ficou nela. Após o jantar, música ao piano no terraço com vistas para o Vesúvio, vinho, conversa agradabilíssima com os amigos americanos Richard e Elaine.
No dia seguinte, passeio pela cidade e visita à Ilha de Capri, que dista cerca de meia hora de barco, a partir de Sorrento. No verão a chegada ao porto é caótica. De lá, direto para o barquinho que leva à grande atração que se transforma no mico do turista deslumbrado: o passeio para a Grotta Azurra.  O barco pequeno é um transtorno para quem enjoa (ainda bem que não foi o meu caso), não tem banheiro e nem cobertura. Uma família muçulmana, cuja mulher e crianças viajavam com roupas que cobriam todo o corpo sofreu horrores.  Forma-se uma fila de barcos de todos os tamanhos na altura da gruta e a espera é de no mínimo duas horas. O ingresso na Gruta Azul é feito através de um pequeno bote, que cabe apenas 3 pessoas e têm que passar deitadas, pois é muito estreito e só é permitido na maré baixa. Pessoas com dificuldade de locomoção e claustrofobia não devem arriscar. Uma vez lá dentro,  é possível esquecer todos os transtornos e se maravilhar com a natureza – a água possui um tom de azul e uma luminosidade que não se comparam a nada mais. É uma das visões mais impressionantes de toda a vida. Pena que o tempo permitido é de apenas 3 minutos. A gruta possui uma acústica perfeita e não raro tenores se arriscam em algumas notas... Pessoa estava certo – tudo vale a pena se a alma não é pequena!
De volta a Capri, passeio pelas ruas e visita a Anacapri. Mais estradas sinuosas, montanhas e deslumbres para as vistas. A cidade é um charme e tem perfume de limão. Retorna-se com uma bagagem de imagens para alimentar a alma.
Saindo de Sorrento, segui para Amalfi em ótima companhia. Lá estava a cidade com a paisagem dos meus sonhos. Aliás, quase todas as cidades da Costa sobem as montanhas de paredão rochoso e demonstram que tudo é possível. Amalfi é bela. Aceitei um convite para conhecer Ravello e Positano, numa passeggiata de carro, à noite, pela perigosa Costiera. Desculpem, mas não deu pra tirar fotos...
No último dia da primeira viagem à Italia, decidi que eu era gente e merecia fazer nada na praia um dia inteirinho. Descobri que o hotel (Grand Hotel Excelsior - www.excelsior-hotel.it) tinha acesso a uma praia particular. Peguei o ônibus privado e desci no local de acesso, ainda no alto de uma rocha. Tomei um elevador que desce por dentro da rocha, por um tempo que desafiou minha claustrofobia, mas eu visualizava minha imagem de praia para tudo recompensar: água + areia + coqueiro). Na chegada, precisei rever meus conceitos. A praia era água + pedras, então abri um sorriso, relaxei e vivi uma despedida maravilhosa das férias.