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sábado, 3 de janeiro de 2015

Florença: perder-se para se encontrar é preciso.

A viagem de 2014 teve como primeiro destino a cidade de Florença, alcançada às 18h00, após o início às 06h00 do dia anterior. Ajustando a ordem cronológica: saí da minha cidade com destino a Salvador/Ba, onde esperei a saída do vôo internacional das 07h00  às 17h00. Próxima parada em Lisboa, às 06h00 do dia seguinte, saindo às 09h00 para Roma, de onde fui de trem do aeroporto de Fiumicino para a Estação Termini. De lá, após o almoço e umas voltas para matar a saudade do calor, do burburinho frenético, do ritmo enlouquecedor de chegadas e partidas de quem sempre quer ficar, o último e esperado trecho no trem para Florença, uma caminhada com mala até o hotel e a delícia de ser reconhecida pelo recepcionista, que vendo meu cansaço, pulou os protocolos e me deu a chave de entrada no paraíso: um quarto com banho morno e cama! Mas, para enfrentar o Jet Leg, faltava algo mais interessante.
Depois do banho e meia hora esticando a coluna, fui ao Il Latini seguindo o instinto e a fome. Seguindo a tradição, fui encaixada numa mesa comprida de seis lugares, entre dois casais. Um chinês, comemorando a lua-de-mel e outro australiano, comemorando trinta anos de casados. Após uma garrafa de vinho sorvida como bálsamo para as dores do corpo e da alma, falavamos todos a mesma língua, trocando confidencias emocionadas sobre as histórias de cada um; celebrando o amor e brindando a vida. Segui o roteiro completo de uma refeição italiana, destacando o delicioso nhoque de vitela e a sobremesa: torta da vovó. O garçom que também me reconheceu, ofereceu de cortesia o "cantuccini" com "vin santo"...parte que repeti. É certo que a farra gastronômica e afetiva afetou-me mais que o devido, mas acertei voltar ao hotel, onde finalizei a noite com uma crise de baixa autoestima do meu estômago, que se recusava a crer-se merecedor do paraíso e me fez discutir a relação com o vaso sanitário por algumas horas. O brinde final foi com antiacido. Mas faria "tudo outra vez se preciso fosse", assim como vaticinou a canção.

Dessa vez aboli definitivamente o mapa e me perdi e me achei em lugares iguais tão diferentes. O começo é igual, o Duomo ou Igreja principal da cidade, a de Santa Maria dei Fiori, com a cúpula de Bruneleschi a identificar que o viajante chegou definitivamente na cidade mais bela do planeta.

O almoço foi na Praça do Espírito Santo - Piazza Santo Espirito, que abriga a igreja de mesmo nome e é um lugar frequentado pelos locais que vão comprar hortifruti nas bancas que por ali vendem, bem como pelos turistas nos restaurantes que se estendem nas calçadas e os jovens descolados, pois parece que ali à noite é o local onde as baladas culturais acontecem.




Como descobertas dos passeios aleatórios, está o Museu Salvatore Ferragamo - http://www.ferragamo.com/museo/it/ita , na ocasião com a mostra chamada "Equilibrium", muito interessante e sem as famosas "hordas de turistas". Apesar de ficar no subsolo da loja, é climatizado e uma boa pedida para fugir do calor lá fora.




Após andar sem rumo por horas, deparei-me com uma escadaria no caminho do bairro de San Nicoló, que a curiosidade me fez subir, para descobrir que terminava numa ladeira quase sem fim. Sem pressa, comecei a subida, confiante no ditado que para baixo todo santo ajuda, a me salvar em caso de desistencia. Sem a menor noção de onde iria chegar, percebi que se aproximava um temporal e apressei o passo. Ao fim, o espetáculo do Forte di Belvedere, aberto somente quando há mostras, como a chamada Prospettiva Vegetale, de Giuseppe Penone, com esculturas gigantes em arvores e pedras. A proximidade da chuva me fez retornar correndo, para ser surpreendida com sua desistencia, às portas da cidade. Era um dia que merecia lágrimas, a vergonhosa despedida do Brasil da copa seria o programa de logo mais. Sem comentarios.







Saboreando as ruas de história, beleza, resistencia e arte, descobri o conceitual Hotel Gallery Art, com sua exposição que avançava pela rua, até a loja da Leica, defronte.  Era denominada Personal/Unpersonal e composta de 18 criaturas brancas da autoria do Arquiteto e Dsigner italiano Simone D'Auria. Impressionavam e convidavam os caminhantes a uma parada para, no mínimo, questionamento sobre o que deve ser apenas sentido. 



Noutro dia, seguindo o instinto ou o vento, ou alguém que simplesmente sabia aonde estava indo, cheguei num restaurante simples e muito tradicional, com comida confortavel e deliciosa, chamado Trattoria del Pennello. Fui atendida pelo Sr. Gino Brogi, com a hospitalidade dos florentinos aos que se esforçam por falar sua língua, ou seja, com generosidade e empatia. Segue o site para consulta: http://www.ristoranteilpennello.it/




Para finalizar o post, algumas imagens icônicas de Florença, onde sempre vale a pena voltar.

 Lungarno
Ponte Vechio
 Estatuas da Piazza Della Signoria
 Davi e o entardecer



Rio Arno

domingo, 14 de dezembro de 2014

Fiesole - a vista abençoada de Florença

Tomando um ônibus na Piazza San Marco, em Florença, em menos de meia hora alcança-se Fiesole, uma cidadezinha que fica nas colinas e possui uma paisagem que é bálsamo aos olhos dos viajantes desvairados pelo encontro com as inúmeras obras de arte humana espalhadas por cada centímetro da cidade florentina.
Ao chegar à cidade, fui direto em busca do Convento de San Francesco, alcançado após uma subida considerável, mas que vale a vista e também acalma o coração cansado. A Igreja estava vazia de gente e plena de paz, entrei, elevei o coração em prece de agradecimento por tudo o que a vida até então me dera. Agradeci os amigos e a familia que encantam minha existência. Caminhei pelo convento, visitei o museu, mas como sempre, lá fora foi que encontrei Deus, balançando nas folhas das árvores, cantando no vento que soprava meus cabelos, abençoando-me com os mais tenros raios de sol. 
Seguem as imagens, pois aqui também o silêncio operou milagres. Destaco que o almoço foi um dos melhores de toda minha passagem pela Italia, no restaurante La Reggia Degli Etruschi (http://www.lareggiadeglietruschi.com/), na descida para a cidade.

 Praça da cidade

 Duomo de Fiesole

Placa com poesia de Giosué Carducci

 Os emblemáticos cipestres



Flores de Fiesole consolam meus pés cansados


  Lanche observando a cidade de Florença, ao fundo

 Vista da cidade de Florença

 Pátio do Convento de São Francisco, em Fiesole

 Interior do Convento de São Francisco, em Fiesole

 Convento de São Francisco, em Fiesole


 Restaurante La Reggia Degli Etruschi

Entradas toscanas típicas: bruuschetas com tomates, patê de fígado de galinha e funghi porcini

Portal para a paz e o encontro com Deus, na natureza.

Encontrando a paz em Assis

Em julho de 2012, resolvi desintoxicar a alma numa passagem de quatro dias na cidade de Assis, o templo da paz na Italia e cidade dos santos do meu mais íntimo diálogo, São Francisco e Santa Clara. Foi um dos melhores presentes que pude me dar. Nas visitas anteriores, costumava fazer o roteiro turístico de apenas algumas horas, porém algo mais me atraía e convidava a pernoitar por ali, sentir o entardecer, adormecer com a sensação de estar descansando as dores da caminhada da vida no colo dos meus protetores. Renovar o propósito da missão para continuar deixando pegadas nessa longa jornada da existência. 
Assis é uma cidade medieval, murada, patrimônio mundial da humanidade e que se espalha do chão ao quase topo do Monte Subásio. A chegada já foi o primeiro passo da purificação. O carro que me conduzia não tinha permissão de circular pela cidade e me deixou com a bagagem no portão de entrada do pé do monte. Achando que era atleta, aventurei-me a empurra-la ladeira acima,  mas só consegui pagar a penitência súbita até o pátio da basílica de São Francisco, onde havia um taxi: salva até o hotel, cuja vista eram os campos da Umbria.
Era dia e as "hordas de turistas" se arrastavam por toda a cidade, oferecendo a paisagem que eu conhecia, mas que não mais buscava, então adormeci e sonhei que estava no paraíso. Ao entardecer, banhei minha alma em lágrimas no espetáculo Chiara di Dio, no Teatro da cidade ( http://www.teatrometastasioassisi.it/ ). A história de Santa Clara contada ao coração, pela interpretação emocionada de jovens atores é uma catarse imperdível. Havia estranhado o fato de ter recebido a chave da porta principal do hotel antes de sair para o Teatro, porém entendi a razão ao sair da peça. Assis é uma cidade quase fantasma à noite, pois muito poucos moradores ali ficaram. Quando fecha o comércio, todos voltam às suas casas fora da cidade, que com o tempo se tornou inabitavel pelo fato de não haver estacionamento nas casas, afinal a maior parte das ruas é de becos ou ladeiras. Restam o silêncio, os ventos uivantes e a paz que finalmente eu encontrara. Aliás, ali pouco falei e interagi com o mundo, pois o sinal de internet também adormece. 
Nos demais dias, passeios pelos arredores da cidade, pelo bosque, até o cemitério, pelas igrejas, e muitas caminhadas até a Basílica de São Francisco, missas, apresentação de coral, mais emoção ao adentrar o lugar do túmulo de São Francisco. Tudo em absoluto silêncio, por quatro longos e necessários dias de renovação espiritual. Quanto à dieta, o Ristorante Bar San Francesco é abençoado, recomendo. 

 Ruas da cidade

 Vales da Umbria

 Cidade vista do Pátio da Basílica de Sao Francisco

 Passeio pelos bosques

 Rocca Maggiore, antigo castelo que atualmente abriga um museu e tem uma vista perfeita da cidade. Não consegui subir...motivo para retornar.

 Basílica vista dos bosques

Cemitério de Assis

 Flores nas janelas

 Flores nas portas

 Basilica de Santa Clara, na parte mais alta da cidade. Aos visitantes de um dia, aconselha-se que comece por ela a visita e vá descendo até a de São Francisco

 Basílica de São Francisco, pela manhã e ao entardecer

 Vista do restaurante San Francesco, ao anoitecer.