Blog destinado a compartilhar minhas viagens pela Italia, desde 2009. Já foram 9 e, em breve, a décima. Todas as fotos são do acervo pessoal. Vou atualizar com novas postagens
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sábado, 30 de abril de 2016
Lucca, verão de 2014.
A cada ano essa cidade me surpreende. E sempre há razões para voltar, não só pelo festival de verão mais famoso da Italia, o Lucca Summer, como também pela beleza incontestável dos muros, da gente que passeia como se a vida fosse mais leve, da poesia de suas ruas, a juventude e a história. Em 2014, os shows de Cat Power e The National fizeram a alegria dos indies e roqueiros.No mais é melhor as fotos falarem o que as palavras calam.
Vivências na Toscana
Com a equipe de “Arianna &
Friends” (http://www.ariannandfriends.com/),
fiz dois passeios em 2014 que recomendo, pois foram encantadores. Há de se
ressaltar a importância da pontualidade quando contratamos serviços na Italia, sendo
de bom tom que procure estar pronto pelo menos 20 minutos antes da hora
agendada.
O primeiro passeio foi a uma fazenda
orgânica situada em Terriciola, chamada L’Avvenire (http://www.aziendaagricolalavvenire.it),
finalizando com a visita a uma fábrica de licores, a Morelli (http://liquorimorelli.it).
A L’Avvenire é uma fazenda típica
orgânica, que trabalha com o conceito da biodinâmica. A Senhora Emy e os filhos
Elena e Luigi nos recebem com muito carinho num ambiente rural, onde se busca a
harmonia da convivência com a natureza, para a produção de queijos, azeite de
oliva e suco de uva de excelente qualidade. A dedicação daquela família à terra
e toda a composição do lugar me fizeram voltar ao tempo da infância e não
precisei chegar na segunda etapa do passeio para ficar embriagada, mas de excelentes
emoções, daquelas que nos fazem sentir o que importa de verdade nessa vida. Da
visita à fábrica de licores Morelli, lembro de ter provado e repetido todos os
licores e a famosa grappa – a cachaça de vinho...de modo que esqueci de
tirar fotos.
O segundo passeio foi uma aula de
culinária num hotel-fazenda chamado “C’a Solare”, onde aprendemos a fazer um
menu toscano: entrada; pasta; carne e a sobremesa. Também regado a muito vinho.
Aprendi a usar a faca chamada mezzaluna e a preparar a base para molhos, mas
cheguei à conclusão que amo as fábricas de macarrão com suas variedades
prontas.
A comida tem o dom de nos despertar para o prazer de viver de um modo
instantâneo e que atende a todos os sentidos. Aguçamos especialmente os
chamados sentidos hápticos que nos deixam desarmados para o ataque e a postos
para o amor. Quem aprecia um bom prato se deliciando com os sabores, cheiros e
texturas, certamente tem potencialidade para ser um excelente amante. Talvez daí
venha a fama dos italianos... Fica a dica!
domingo, 4 de janeiro de 2015
Pistóia - cidade do Blues Festival e de memórias do Brasil
Conhecida como “cidade de pedra
encantada”, Pistóia se localiza aos pés da cordilheira dos Apeninos, a 50 min
de Florença. É pequena, simples e cheia de charme. O município tem como
principal atividade o cultivo de plantas ornamentais e flores, que fornece para
todo o país. São imensos terrenos cultivados com esmero e delicadeza, com
mostras de pinheiros e fícus decorados nas mais diversas formas. Infelizmente
não consegui fotografá-los, pois chovia nos dias em que passei por eles e as
estradas italianas não possuem acostamento, lamentavelmente.
A cidadezinha é um encanto, com
suas ruas largas e jeito de interior. Contudo, não se engane, pois é um celeiro
artístico e cultural, sendo a maior expressão o Festival Anual de Blues, que
recebe artistas de todo o mundo e não só desse estilo. Tive o prazer de
assistir ao show de Jack Johnson em uma praça, numa noite mágica. Esse ano,
tocarão Santana e Sting, entre outros famosos da música. A gastronomia local também
encanta. Numa das ruas, diversos restaurantes e ao fim, o mercado com barracas
de hortifruti que enchem os olhos.
Vale a pena conferir também local
do Cemitério Militar Brasileiro, onde fica atualmente o monumento ao soldado desconhecido.
Esta cidade acolheu os corpos dos soldados brasileiros mortos na segunda guerra
mundial, tendo sido trasladados para o Brasil apenas em 1960. Será minha
próxima visita.
Num passeio em dia chuvoso
encontrei velhos hippies, jovens em rodas de música, um jardim de contos de
fadas, cerveja da melhor qualidade, gente de riso fácil e muito solícita com os
visitantes, com um carinho especial pelo Brasil.
sábado, 3 de janeiro de 2015
Florença: perder-se para se encontrar é preciso.
A viagem de 2014 teve como primeiro destino a cidade de Florença, alcançada às 18h00, após o início às 06h00 do dia anterior. Ajustando a ordem cronológica: saí da minha cidade com destino a Salvador/Ba, onde esperei a saída do vôo internacional das 07h00 às 17h00. Próxima parada em Lisboa, às 06h00 do dia seguinte, saindo às 09h00 para Roma, de onde fui de trem do aeroporto de Fiumicino para a Estação Termini. De lá, após o almoço e umas voltas para matar a saudade do calor, do burburinho frenético, do ritmo enlouquecedor de chegadas e partidas de quem sempre quer ficar, o último e esperado trecho no trem para Florença, uma caminhada com mala até o hotel e a delícia de ser reconhecida pelo recepcionista, que vendo meu cansaço, pulou os protocolos e me deu a chave de entrada no paraíso: um quarto com banho morno e cama! Mas, para enfrentar o Jet Leg, faltava algo mais interessante.
Depois do banho e meia hora esticando a coluna, fui ao Il Latini seguindo o instinto e a fome. Seguindo a tradição, fui encaixada numa mesa comprida de seis lugares, entre dois casais. Um chinês, comemorando a lua-de-mel e outro australiano, comemorando trinta anos de casados. Após uma garrafa de vinho sorvida como bálsamo para as dores do corpo e da alma, falavamos todos a mesma língua, trocando confidencias emocionadas sobre as histórias de cada um; celebrando o amor e brindando a vida. Segui o roteiro completo de uma refeição italiana, destacando o delicioso nhoque de vitela e a sobremesa: torta da vovó. O garçom que também me reconheceu, ofereceu de cortesia o "cantuccini" com "vin santo"...parte que repeti. É certo que a farra gastronômica e afetiva afetou-me mais que o devido, mas acertei voltar ao hotel, onde finalizei a noite com uma crise de baixa autoestima do meu estômago, que se recusava a crer-se merecedor do paraíso e me fez discutir a relação com o vaso sanitário por algumas horas. O brinde final foi com antiacido. Mas faria "tudo outra vez se preciso fosse", assim como vaticinou a canção.
Dessa vez aboli definitivamente o mapa e me perdi e me achei em lugares iguais tão diferentes. O começo é igual, o Duomo ou Igreja principal da cidade, a de Santa Maria dei Fiori, com a cúpula de Bruneleschi a identificar que o viajante chegou definitivamente na cidade mais bela do planeta.
O almoço foi na Praça do Espírito Santo - Piazza Santo Espirito, que abriga a igreja de mesmo nome e é um lugar frequentado pelos locais que vão comprar hortifruti nas bancas que por ali vendem, bem como pelos turistas nos restaurantes que se estendem nas calçadas e os jovens descolados, pois parece que ali à noite é o local onde as baladas culturais acontecem.
Como descobertas dos passeios aleatórios, está o Museu Salvatore Ferragamo - http://www.ferragamo.com/museo/it/ita , na ocasião com a mostra chamada "Equilibrium", muito interessante e sem as famosas "hordas de turistas". Apesar de ficar no subsolo da loja, é climatizado e uma boa pedida para fugir do calor lá fora.
Após andar sem rumo por horas, deparei-me com uma escadaria no caminho do bairro de San Nicoló, que a curiosidade me fez subir, para descobrir que terminava numa ladeira quase sem fim. Sem pressa, comecei a subida, confiante no ditado que para baixo todo santo ajuda, a me salvar em caso de desistencia. Sem a menor noção de onde iria chegar, percebi que se aproximava um temporal e apressei o passo. Ao fim, o espetáculo do Forte di Belvedere, aberto somente quando há mostras, como a chamada Prospettiva Vegetale, de Giuseppe Penone, com esculturas gigantes em arvores e pedras. A proximidade da chuva me fez retornar correndo, para ser surpreendida com sua desistencia, às portas da cidade. Era um dia que merecia lágrimas, a vergonhosa despedida do Brasil da copa seria o programa de logo mais. Sem comentarios.
Saboreando as ruas de história, beleza, resistencia e arte, descobri o conceitual Hotel Gallery Art, com sua exposição que avançava pela rua, até a loja da Leica, defronte. Era denominada Personal/Unpersonal e composta de 18 criaturas brancas da autoria do Arquiteto e Dsigner italiano Simone D'Auria. Impressionavam e convidavam os caminhantes a uma parada para, no mínimo, questionamento sobre o que deve ser apenas sentido.
Noutro dia, seguindo o instinto ou o vento, ou alguém que simplesmente sabia aonde estava indo, cheguei num restaurante simples e muito tradicional, com comida confortavel e deliciosa, chamado Trattoria del Pennello. Fui atendida pelo Sr. Gino Brogi, com a hospitalidade dos florentinos aos que se esforçam por falar sua língua, ou seja, com generosidade e empatia. Segue o site para consulta: http://www.ristoranteilpennello.it/
Para finalizar o post, algumas imagens icônicas de Florença, onde sempre vale a pena voltar.
Lungarno
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| Ponte Vechio |
Estatuas da Piazza Della Signoria
Davi e o entardecer
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